Opinião: Mas de quem é a vacina brasileira?

Marcos Verlaine*

Agora que o Brasil tem a vacina contra a Covid-19, o País pode respirar mais aliviado. Neste momento, cabe aos governos (federal, estaduais e municipais) providenciar as condições necessárias para imunizar, indistintamente, todos os brasileiros, sem exceção, com as 2 doses necessárias da Coronavac, para garantir a eficácia do antídoto ao vírus da morte, que enluta mais de 210 mil famílias no Brasil. Uma tragédia!

Mas e a briga entre o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), para capitalizar politicamente e “paternalizar” a fabricação da vacina?

Quem é, de fato, o responsável pelo imunizante? O governo do estado de São Paulo ou o federal?

Nenhum dos 2!

O “pai da criança”

Embora, é claro, Doria tenha todos os méritos por ter envidado esforços para produzir a vacina — já que o presidente da República e o seu governo nada fizeram e ainda passaram o ano de 2020 inteiro sabotando os procedimentos e protocolos de combate à pandemia —, o governador não fez mais do que a obrigação. Foi o dinheiro público que financiou as pesquisas e vai garantir a produção da vacina.

Então, quem são os verdadeiros responsáveis?

Os verdadeiros e genuínos responsáveis pela vacina brasileira, ora produzida pelo Instituto Butantan, que Doria queria privatizar, são os servidores públicos, tão demonizados por todos os governos, à esquerda e à direita. Embora seja verdade que foram mais valorizados, nos últimos tempos, pelos governos de orientação progressista, como o foram as gestões de Lula e Dilma.

Depois dos servidores, vem a ciência, que é o “conhecimento que explica os fenômenos obedecendo as leis que foram verificadas por métodos experimentais” e a pesquisa, configurada no “conjunto de atividades que têm por finalidade a descoberta de novos conhecimentos no domínio científico, literário, artístico etc.”

Assertivo
O assessor parlamentar e servidor público federal aposentado Vladimir Nepomuceno foi certeiro quando tuítou, no último domingo (17), sobre a vacina:

“Vacinas aprovadas. Não agradeça a nenhum governo. Mas aos servidores públicos (Butantan, Fiocruz e Anvisa). Com salários congelados, equipe reduzida (sem concurso), condições inadequadas de trabalho, cumpriram seu papel. Deputados, lembrem disso ao votar a Reforma Administrativa.”

“Dedo na ferida”

Nepomuceno não foi apenas certeiro em seu tuíte. Ele colocou, acertadamente, o “dedo na ferida” e cobrou de quem deve dar respostas aos grandes e profundos dilemas brasileiros — os deputados e senadores.

O povo brasileiro não deve nada ao Doria e muito menos ao Bolsonaro, tampouco agradecimentos. O primeiro não fez nenhuma benevolência ao povo, apenas cumpriu suas obrigações como governante. O segundo nada fez ou faz para dar solução aos gravíssimos problemas ocasionadas pela pandemia — ao contrário.

Quanto aos deputados federais, que representam o povo, em sua maioria só tem aprovado medidas que infelicitam a população, sobretudo, os mais pobres — Teto de Gastos, Terceirização geral e “reformas” que tiram direitos e conquistas dos assalariados, tanto no setor privado, quanto no público, como a Trabalhista e a da Previdência3.

O Senado, que representa os estados brasileiros, não é diferente. A maioria dos que lá atuam tem chancelado as perversidades aprovadas pela Câmara contra o povo.

Assim, as lembrança e cobrança de Vladimir Nepomuceno foram extremamente pertinentes. E poderiam, com certeza, se transformar numa bandeira contra a famigerada Reforma Administrativa, configurada na PEC 32/20, em tramitação na Câmara, que nada mais é que a “reforma trabalhista” contra os servidores públicos federais e a população em geral, que demanda cada vez mais por serviços públicos de boa qualidade. E, certamente, se essa for aprovada pelo Congresso, servirá de modelo contra os servidores estaduais e municipais, como foi a Reforma da Previdência (EC 103/19).

A vacina Coronavac é do povo brasileiro, que é quem paga por tudo que é produzido no País. E os responsáveis foram os servidores públicos, que não mediram esforços para viabilizá-la, em tempo recorde, apesar do presidente Bolsonaro, que há 1 ano conspira contra o povo e o envia, todos os dias, à morte, por Covid-19.

(*) Jornalista, analista político e assessor parlamentar licenciado do Diap

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