Diretor-geral da OMC alerta senadores sobre desemprego estrutural

O diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), o diplomata brasileiro Roberto Azevêdo, apresentou um diagnóstico do impacto da adoção de tecnologias no desemprego gerado no mundo durante audiência pública nesta quinta-feira (24) na Comissão de Relações Exteriores (CRE).

Segundo ele, 80% das perdas de postos de trabalho nas economias avançadas são ligados à inovação tecnológica. A avaliação é de que este fenômeno tende a ser ainda mais forte nos países em desenvolvimento, como o Brasil, provocando crises estruturais de desemprego.

Azevêdo informou que apresentou estes estudos, todos baseados em dados oficiais dos próprios países, durante encontro do G-20 na China em outubro do ano passado. Ele prevê que o quadro pode se agravar em nações como o Brasil, devido ao despreparo técnico-científico de boa parcela da população.

— Este tema ainda não é percebido como uma prioridade na agenda do país, mas não tenho nenhuma dúvida de que em breve estará. Quanto menos preparada estiver a mão de obra, mais ela será afetada e substituída pelo processo de inovação tecnológica, mesmo que esta mão de obra seja barata — advertiu.

O diretor-geral da OMC, o segundo na história da organização a ser reeleito para um novo mandato de 4 anos (iniciando em setembro), informou também ter deixado claro durante o encontro do G-20 que a eliminação de postos de trabalho devido a processos de inovação tecnológica é “irreversível e continuará se aprofundando”. Informou ainda que o órgão trabalha em um novo documento oficial a ser apresentado ao G-20, com sugestões de medidas aos líderes.

Agência Senado

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