Aeroviários, Infraero e comunidade saúdam a retomada dos voos na Pampulha, em BH

Às 8h56 da manhã de 22 de janeiro, pousava no Aeroporto da Pampulha o voo G3 2002, da Gol Linhas Aéreas, o primeiro de grande porte vindo de São Paulo, a partir de uma conexão por Juiz de Fora, na Zona da Mata, para a viagem que teve origem no aeroporto de Congonhas (SP).

A operação passou por cima de portaria do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação, de 18/01, que restringiu a atuação do terminal aos percursos regionais, em manobra autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O voo que chegou a BH está previsto para todas as segundas-feiras, com saída às 7h05 de São Paulo, via Congonhas, em conexão com Juiz de Fora, com duração de 1h50 e previsão de chegada na capital mineira às 8h55. Depois da proibida a operação dos voos diretos, a Gol lançou, com autorização da Anac, quatro opções de voos diários passando por Juiz de Fora, sendo que dois deles não saem apenas aos sábados e dois apenas aos domingos.

A operação foi saudada por Aeroviários, taxistas, comerciantes e também pelo “Movimento Ponte Aérea, Já!”, que ocuparam os arredores do desembarque, para saudar a chegada do histórico voo. Paulo de Tarso, presidente do Sindicato dos Aeroviários de Minas (SAM), coordenou um ato, saudando os passageiros no palanque improvisado pelos manifestantes.

PROMOVER A INTEGRAÇÃO EM MINAS

Antônio Claret de Oliveira, presidente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), ressaltou o significado da retomada dos voos da Gol Linhas Aéreas no Aeroporto da Pampulha, na recuperação do prejuízo para a União e para o bolso dos contribuintes. A atração de novos postos de trabalho para a região igualmente foi vista por Claret como um segundo ponto a ser destacado, “que contribui para o momento positivo de retomada econômica do país”.

Na visão do presidente da Infraero, a operação será capaz de promover a integração entre as regiões de Minas Gerais, por meio da conexão entre Montes Claros, ao Norte; Juiz de Fora, à Leste, na Zona da Mata; Uberlândia, à Oeste, no Triângulo Mineiro, com a capital Belo Horizonte. Claret observa que essas cidades “conversavam” para fora de Minas Gerais, mas, agora, voltam a dialogar internamente. O executivo ainda assinala a afirmação dos voos executivos, com a ponte aérea, para fortalecer os negócios no solo mineiro.

Criador do Movimento “Ponte Aérea, Já!”, Lúcio Flávio de Paula, saudou a data histórica para os voos comerciais de Minas Gerais, particularmente para a capital, que estavam suspensos há 12 anos. O servidor municipal classificou a nova alternativa como “grande conquista da sociedade mineira”, mesmo lamentando a ausência de voos diretos de Congonhas, como era pretendido. O líder do movimento espera ver revertida a condição de contar somente com a opção de voos com base em conexão, a partir da liberação definitiva do Aeroporto da Pampulha.

COEXISTÊNCIA COM O AEROPORTO DE CONFINS

O Movimento “Ponte Aérea, Já!” existe desde o ano de 2015 e foi motivado pelo que chamou de “tendencionismo da imprensa local”, que colocava em evidência apenas a parcela contrária à retomada dos voos naquele aeroporto, que não representa o anseio da maioria dos usuários dos serviços aeroportuários e que são favoráveis ao retorno das operações na Pampulha.

A campanha do grupo é desenvolvida pelas redes sociais (https://pt-br.facebook.com/aeroportodapampulha/) e defende o pleno funcionamento da Aeroporto da Pampulha, que é batizado com o nome do poeta Carlos Drummond de Andrade. No entendimento dos ativistas, o Aeroporto de Belo Horizonte pode funcionar coexistindo como o Aeroporto Tancredo neves, localizado no município de Confins, na região de Sete Lagoas.

Junto à resistência de associações de moradores da região, os defensores da retomada das operações ainda enfrentaram a oposição de personagens como o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que anulasse os efeitos da portaria do Ministério dos Transportes autorizando o retorno de voos comerciais de aviões de grande porte no aeroporto da Pampulha.

Também os prefeitos do chamado Vetor Norte, que reúne cidades próximas à Confins, afirmam que a transferência dos voos comerciais para Pampulha vai inviabilizar o Aeroporto de Confins, o que prejudicaria investimentos feitos na região, em posição diversa da direção do SAM, que é crente na oferta de uma nova opção de pouso. Para os sindicalistas, a retomada das operações contribui para a valorização dos investimentos feitos no Vetor Norte, por promover a concorrência para o segmento. Ao mesmo tempo, ajuda a dinamizar a região da Pampulha, através da geração de novos empregos e investimentos.

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