Escola de samba faz crítica a reforma trabalhista e Temer na avenida

A escola de samba Paraíso do Tuiuti apresentou, na madrugada desta segunda-feira (12), na Sapucaí, o enredo com o tema “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”.

A escola lembrou que este ano, completam-se apenas 130 anos desde o fim desta forma de exploração humana no Brasil, sem que suas sequelas tenham sido eliminadas. Críticas a Michel Temer e a “reforma” trabalhistas também estiveram presentes na passagem da escola pela avenida.

Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?

Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o valor?
Pobre artigo de mercado
Senhor eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor

Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida

Mostra que a vida se lamenta por nós dois

Mas falta em seu peito um coração

Ao me dar escravidão e um prato de feijão com arroz

Eu fui mandinga, cambinda, haussá

Fui um rei egbá preso na corrente

Sofri nos braços de um capataz

Morri nos canaviais onde se planta gente

Ê calunga!
Ê ê calunga!

Preto Velho me contou,  Preto Velho me contou

Onde mora a senhora liberdade

Não tem ferro, nem feitor

Amparo do rosário ao negro Benedito

Um grito feito pele de tambor

Deu no noticiário, com lágrimas escrito

Um rito, uma luta, um homem de cor

E assim, quando a lei foi assinada

Uma lua atordoada assistiu fogos no céu

Áurea feito o ouro da bandeira

Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel

Meu Deus! Meu Deus!

Se eu chorar não leve a mal

Pela luz do candeeiro

Liberte o cativeiro social

Não sou escravo de nenhum senhor

Meu Paraíso é meu bastião

Meu Tuiuti o quilombo da favela

É sentinela da libertação

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *