Protestos contra reforma da Previdência em diversas cidades

Diversos protestos marcaram a segunda-feira (19) contra a reforma da Previdência. A mobilização foi organizada por centrais sindicais e movimentos sociais que argumentam que as mudanças trarão prejuízos ao trabalhador. O governo federal alega que a reforma é necessária para equilibrar as contas públicas. A reforma fixa a idade mínima para aposentadoria em 65 anos, além de determinar um tempo mínimo de contribuição de 25 anos.

Rio de Janeiro

Na capital, a manifestação teve início por volta das 17h na Praça da Candelária e, de lá, os participantes seguiram em marcha pela Avenida Rio Branco e chegando até a Cinelândia.

A intervenção federal na segurança do estado também foi criticada pelos manifestantes. “Na atual conjuntura, a intervenção militar é um problema muito maior para o Rio de Janeiro do que o risco de aprovação da reforma da Previdência. Nós sabemos muito bem que quem irá sofrer serão os moradores das comunidades, na sua maioria negros e pobres”, disse o estudante de música André Luís Pinto.

Para o presidente estadual da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-RJ), Paulo Farias, os movimentos sociais devem continuar em alerta em relação à reforma, mesmo com a intervenção. “Está errado achar que, com a intervenção militar, o governo Temer desistiu de tentar emplacar a reforma da Previdência. Porque o que nós temos visto são diversas propostas sendo aprovadas não pelo convencimento ideológico dos deputados, e sim na base da compra de votos, principalmente através da liberação de emendas parlamentares”, disse.

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse que não há segurança jurídica para a votação da reforma durante a intervenção no Rio.

São Paulo

Na capital paulista, o protesto ocorreu no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. A via ficou interditada nos dois sentidos. De acordo com os organizadores, 20 mil pessoas, entre eles servidores municipais, participaram da mobilização que teve início às 16h e foi convocada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, das quais participam movimentos populares e centrais sindicais. A Polícia Militar não estimou o número de participantes.

De acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) em São Paulo, diversas categorias – entre eles metalúrgicos, petroleiros, eletricitários, motoristas, químicos e servidores públicos – participaram, em pelo menos 17 cidades, de atos, bloqueios de vias e paralisações ao longo do dia.
Em Sorocaba, os motoristas de ônibus interromperam o serviço de transporte no início da manhã. Também houve paralisação em algumas linhas de ônibus da cidade de Guarulhos. Os metroviários, por sua vez, fizeram panfletagem em defesa da aposentadoria. Agências bancárias em São Paulo e em Osasco ficaram fechadas até as 12h. Na Baixada Santista, ocorreram protestos em frente ao prédio do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). No início da manhã, foram bloqueados trechos das rodovias Régis Bittencourt e Dutra.

Bahia

Grupos de manifestantes bloquearam o trânsito em algumas avenidas de Salvador, como a ACM e Paralela, por cerca de duas horas pela manhã. Com isso, passageiros de ônibus tiveram que seguir a viagem a pé. Parte dos motoristas e cobradores de ônibus. que trabalham nas empresas da capital e região metropolitana, aderiu ao movimento.

Segundo a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), os atos ocorreram em outras cidades, como Camaçari, Feira de Santana, Irecê, Itabuna e Jequié.

Em Camaçari, região metropolitana de Salvador, um policial militar atirou em um carro de som usado em um protesto. Segundo a PM, o policial – cujo nome não foi divulgado – integra o batalhão que negociava com os manifestantes a liberação de uma avenida que havia sido bloqueada. Não houve feridos.

Em nota, a PM informou que colheu o depoimento do policial para adotar as providências legais adequadas. O militar responderá a processo apuratório, sendo afastado de suas atividades de rotina.

Também em nota, o diretório estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT) repudiou “veementemente” a atitude dos policiais que, na avaliação da entidade, “tentaram impedir de forma violenta uma manifestação pacífica de interesse da sociedade”.

Brasília

Manifestantes fizeram um ato no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitscheck à espera de deputados e senadores que chegavam à capital federal. Exibindo faixas e cartazes com frases como “Deputado(a), vote contra a Reforma da Previdência” e “Quem votar[a favor] não volta”, os participantes distribuíram panfletos pedindo que os eleitores cobrem dos parlamentares que votem contra as mudanças previdenciárias.

Por volta das 18h, foi realizado um ato unificado realizado na área externa do Museu da República, que reuniu cerca de 3 mil manifestantes, segundo a CUT, uma das entidades organizadoras. A Polícia Militar do Distrito Federal estimou 900 pessoas. Munidos de cartazes, faixas e bandeiras, integrantes de movimentos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), além de trabalhadores de diferentes categorias, como servidores públicos, professores e bancários, reiteraram posição contrária às mudanças propostas pelo governo federal para alterar as regras da aposentadoria no país.

Goiás

Em Goiânia, manifestantes organizados pelo Fórum Goiano contra a Reforma da Previdência reivindicaram que deputados e senadores do estado não aprovem as mudanças nas regras previdenciárias para não prejudicar os trabalhadores.

O grupo se concentrou diante da agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) da região central da capital goiana, de onde seguiram para a Assembleia Legislativa. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Sintsep), Ademar Rodrigues, as várias propostas que vêm sendo apresentadas à população retiram direitos conquistados pelos trabalhadores. “Este ato de hoje foi amplamente positivo por sinalizar aos deputados e senadores o repúdio dos trabalhadores”.

Santa Catarina

Em Florianópolis, ônibus ficaram parados nas garagens devido à adesão dos rodoviários filiados ao Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano de Passageiros da Região Metropolitana de Florianópolis (Sintraturb). Segundo a Secretaria Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana, cerca de 230 mil pessoas utilizam o sistema diariamente. A prefeitura autorizou motoristas de vans, veículos escolares e ônibus de turismo a transportarem passageiros.

Trabalhadores da Autarquia de Melhoramentos da Capital (Comcap) paralisaram a coleta de lixo e a limpeza de vias públicas por 24 horas. Segundo o presidente da Comcap, Carlos Alberto Martins, os serviços só devem ser retomados a partir das 7h desta terça-feira (20) e a previsão é que a coleta de lixo seja rapidamente normalizada.

Segundo o diretório estadual da CUT, foram realizados atos em Araranguá, Blumenau, Chapecó, Criciúma, Lages e Joinville.

Paraná

Os protestos ocorreram, pela manhã, em frente às duas subsidiárias da Petrobras, em Araucária, na região metropolitana de Curitiba: a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) e sua fornecedora de matéria-prima, a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar). Em Curitiba, um grupo distribuiu panfletos no Terminal Guadalupe e manifestou-se em frente ao prédio do INSS.

Em Apucarana, interior do estado, grupos levaram caixões pretos em passeata para simbolizar a morte da Previdência.

Acre

Em Rio Branco, sindicalistas e militantes de movimentos sociais realizaram uma panfletagem durante a manhã, no Terminal Urbano, no centro da capital.

Alagoas

Grupos protestaram no Aeroporto de Maceió, no início da tarde, e usaram megafones e distribuíram panfletos. Em União dos Palmares e Teotônio Vilela, municípios do interior do estado, movimentos de trabalhadores rurais fizeram bloqueios em duas rodovias federais (BRs 101 e 104) durante cerca de quatro horas ao longo da manhã. Também foram registradas manifestações nas cidades de Delmiro Gouveia e Arapiraca.

Amazonas

Os atos foram realizados em dois pontos de Manaus. No centro da cidade, o protesto ocorreu na Praça Heliodoro Balbi. Já na região do Distrito Industrial, o ato bloqueou parte da avenida Jvari, que dá acesso à região.

Ceará

Em Senador Pompeu, no interior do estado, trabalhadores ligados a sindicatos rurais e ao MST realizaram um ato na frente da sede do INSS do município.

Espírito Santo

Em Vitória, cerca de 200 manifestantes, segundo a Guara Municipal, se concentraram na Praça Oito e fizeram uma caminhada pela avenida Princesa Isabel até a sede da superitendência do INSS no

estado. Os organizadores estimaram 600 pessoas no ato.

Mato Grosso

Em Cuiabá, manifestantes protestaram contra a reforma em frente ao prédio do INSS, no centro da cidade.

Mato Grosso do Sul

Um grupo de pouco mais de 100 manifestantes, segundo a Guarda Municipal de Campo Grande, protestou contra as mudanças nas regras da aposentadoria. O ato ocorreu pela manhã, na Avenida Afonso Pena, centro da capital.

Minas Gerais

Em Belo Horizonte, centrais sindicais e movimentos sociais organizaram um almoço na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) contra a reforma por volta das 13h. Mais tarde, por volta das 18h, um outro grupo bloqueou o cruzamento na Praça 7, centro da capital. O trânsito foi liberado logo em seguida.

Tocantins

Em Palmas, manifestantes também se reuniram na porta do INSS da capital para protestar.

 

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