Copom se reúne nesta quarta, e mercado prevê manutenção da taxa Selic em 6,5% ao ano

Comitê de Política Monetária divulgará resultado após as 18h. Se previsão do mercado se confirmar, esta será a 5ª vez seguida que o Copom manterá o patamar da taxa básica de juros.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reunirá nesta quarta-feira (31), e a expectativa de analistas do mercado financeiro é que a taxa básica de juros da economia, a Selic, seja mantida em 6,5% ao ano.

Se a expectativa do mercado se confirmar, esta será a quinta manutenção seguida da taxa Selic, que, mesmo assim, continuará no menor nível da série histórica do Banco Central (desde 1986). A decisão do BC será anunciada após as 18h desta quarta.

Os bancos estimam, também, que os juros básicos deverão permanecer em 6,5% ao ano até o fim de 2018. Para o fechamento do próximo ano, porém, a estimativa dos economistas para a taxa Selic está em 8% ao ano.

Taxa Selic

Apesar de os juros básicos estarem no menor patamar da série histórica do Banco Central, as taxas cobradas pelas instituições financeiras ainda seguem em patamares elevados.

Reduzir os juros bancários é um dos desafios apontados por economistas para o próximo governo.

Dados oficiais mostram que, em setembro, os juros bancários médios nas operações com pessoas físicas somaram para 52,2% ao ano, enquanto a taxa das empresas totalizou 20,4% ao ano.

Em algumas modalidades, como no cheque especial e no cartão de crédito rotativo, os juros ficaram em cerca de 300% ao ano – patamar elevado para padrões internacionais.

As altas taxas de juros, atualmente cobradas pelos bancos, inibem o consumo e também os investimentos na economia brasileira, avaliam analistas.

Como a decisão é tomada

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2018, a meta de inflação é de 4,5% e, para 2019, é de 4,25%.

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o BC reduz os juros; quando estão acima da trajetória esperada, a taxa Selic é elevada.

Neste ano, a inflação segue relativamente sob controle, tendo registrado deflação (queda de preços) em agosto. A previsão dos economistas para a inflação de 2018 está em 4,43% e, para o ano que vem, em 4,22%, ou seja, ainda em linha com as metas de inflação.

De acordo com Júlio Cesar Barros, economista da Mongeral Aegon Investimentos, a queda do dólar nas últimas semanas, resultado da evolução do processo eleitoral, ajuda o Banco Central a cumprir a meta de inflação do ano que vem, de 4,25%. Para ele, os combustíveis não tendem a continuar pressionando a inflação em 2019.

“No Copom anterior [em setembro], o dólar estava a R$ 4,15. Nas projeções do BC, se ele ficasse estável nesse patamar [com juros inalterados também], a inflação somaria 4,50% em 2019. Mas atualmente, o dólar está em R$ 3,70. Mesmo com Selic e câmbio constantes, você atingiria a meta [de inflação de 2019, de 4,25%]”, declarou ele.

O economista da Mongeral Aegon Investimentos acredita que os juros básicos da economia começarão a ser elevados pelo Banco Central por volta de maio do ano que vem, uma vez que o mercado estima valorização da moeda norte-americana no decorrer de 2019.

Rendimento da poupança

Se confirmada a nova manutenção dos juros nesta quarta-feira, o rendimento da poupança também deverá permanecer o mesmo. Pela regra atual, em vigor desde 2012, os rendimentos da poupança estão atrelados aos juros básicos sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano.

Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC. A norma vale apenas para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.

A medida visa evitar que a poupança fique mais atrativa que os demais investimentos, cujos rendimentos caem junto com a Selic. Sem o redutor, a poupança passaria a atrair recursos de grandes poupadores, que deixariam de comprar títulos públicos.

Se o juro básico da economia continuar em 6,50% ao ano, a correção da poupança permanecerá sendo de 70% desse valor – o equivalente a 4,55% ao ano, mais Taxa Referencial.

Segundo cálculos da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a poupança continuará sendo uma “excelente opção de investimento, principalmente sobre os fundos cujas taxas de administração sejam superiores a 1% ao ano”.

Analistas avaliam que o Tesouro Direto, programa que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos pela internet, via banco ou corretora, sem necessidade de aplicar em um fundo de investimentos, também pode ser uma boa opção para os investidores. O programa tem atraído o interesse de aplicadores nos últimos anos.

G1

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