Alunos da Universidade Estácio de Sá ameaçam abandonar a instituição

Mobilização dos alunos ocorre após a demissão de 1200 professores

Os alunos da Faculdade Estácio ameaçam abandonar a instituição caso a empresa continue promovendo demissões em seu quadro de docentes. A instituição, presente em todo território nacional e espalhada em vários estados do país anunciou que vai demitir cerca de 1200 docentes.

Em todo o Brasil, os estudantes da universidade estão se mobilizando em apoio aos professores e organizando protestos para exigir a restituição de todos os profissionais que foram demitidos.

“A Estácio vai mudar o quadro de docentes porque os salários estão acima da média que eles desejam pagar, ou seja, irão substituir estes profissionais qualificados por professores menos qualificados. Nós não aceitamos e vamos exigir que estes profissionais sejam restituídos”, explica Emanuelle Assunção, aluna de Engenharia Ambiental da faculdade.

A universidade Estácio de Sá confirmou as demissões, e disse se tratar de uma “reorganização em sua base de docentes”. Apesar de confirmar os cortes, a universidade não disse quantos profissionais serão ou já foram demitidos.

Ainda de acordo com a faculdade, o processo envolveu o desligamento de profissionais da área de ensino do Grupo e o lançamento de um cadastro reserva de docentes para atender possíveis demandas nos próximos semestres.

O Ministério Público do Trabalho do Rio (MPT-Rio), anunciou que vai instaurar um inquérito com o intuito de investigar as demissões na universidade, e a aplicação da reforma trabalhista no caso.

o coordenador do Núcleo de Fraudes Trabalhistas do MPT-Rio, Rodrigo Carelli, a falta de transparência das empresas, e o visível desrespeito aos direitos dos trabalhadores, será investigado com rigor.

“O MPT está atento a esse movimento da empresa e iremos tomar medidas urgentes e enérgicas. Ao que parece, houve má interpretação da empresa sobre a reforma. O que parece, pelo caso, é que a empresa acha que vale tudo depois da reforma, e não é isso. A reforma não prevê nenhuma mágica, que permite desaparecer com empregados para recontratar de forma precária, por isso, vamos abrir um inquérito para fazer a apuração”, destaca.

A rede Estácio conta com dez mil professores no total, e iniciou a demissão de 1.200, sendo 400 deles no Rio de Janeiro. Para substituí-los, serão contratados outros professores, mas com salários de acordo com a média praticada no mercado, segundo explicou o presidente do grupo, Pedro Thompson.

O Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (SinproRio) divulgou nota de repúdio à decisão da universidade, e se colocando à disposição dos profissionais que perderem seus empregos.

Jornal do Brasil

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