Dieese: 81% das greves em 2017 são por direitos descumpridos

Os trabalhadores do setor público fizeram o maior número de paralisações (814 registros – sendo 728 do funcionalismo público e 86 nas empresas estatais), enquanto os trabalhadores da esfera privada realizaram 746.

Além de marcar o centenário da grande greve de 1917, em São Paulo, 2017 foi também o ano que contabilizou três protestos de dimensões nacionais contra as reformas previdenciária e trabalhista propostas pelo governo federal: a greve do dia 15 de março, a greve geral do dia 28 de abril e os protestos e paralisações do dia 30 de junho.

Sergio Luiz Leite, Serginho, 1º secretário da Força Sindical e presidente da Fequimfar, destaca que o balanço apresentado pelo Dieese deixa claro que a orientação do movimento sindical para que os trabalhadores travem essa luta pelos direitos tem chegado à base.

“De forma geral, o balanço das greves demonstra exatamente o que o movimento sindical tem defendido após a aprovação da reforma trabalhista. A importância da mobilização da classe trabalhadora para apresentar resistência diante da ofensiva patronal e garantir os direitos conquistados ao longo de anos de luta.”

Balanço

Ao contrário de greves propositivas, que têm como objetivo pressionar pela ampliação e conquista de direitos, 81% das greves de 2017 incluíam uma pauta “defensiva”, ou seja: foram mobilizações voltadas ao cumprimento dos direitos já assegurados.

Entre as principais reivindicações dos trabalhadores brasileiros (públicos e privados) estão a exigência de regularização de salários, férias e 13º salário ou vale salarial em atraso (presente na pauta de 44% das greves). O reajuste de salários e pisos vem a seguir (presente em 32% das paralisações).

“A reforma trabalhista está prestando um desserviço a todos os brasileiros, e isto pode ser notado no balanço divulgado pelo Dieese, pois os empregadores estão aproveitando o novo cenário nas relações trabalhistas para descumprir acordos, muitos deles históricos, conquistados por meio da luta da classe trabalhadora”, avalia o secretário-geral da CTB, Wagner Gomes.

O estudo do Dieese aponta que a piora das condições econômicas dá aos trabalhadores menos chances de fazer greve para reivindicar novos direitos. “Sem deixar de abordar aqueles direitos historicamente descumpridos, as greves passam a ocorrer, cada vez mais, no campo das reações imediatas, urgentes: contra a realização de demissões e contra o atraso no pagamento de salários”, afirma Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese.

Por Fábio Casseb

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