Trabalhador do Carrefour morre e loja mantém funcionamento

O funcionário Moisés Santos promovia produtos alimentícios em uma unidade de Recife (PE) da rede de hipermercados Carrefour, sofreu mal súbito e morreu no local de trabalho na última sexta-feira, 14. Para não ter que interromper as atividades, seu corpo ficou permaneceu no estabelecimento e foi coberto com guarda-sóis.

O corpo do trabalhador ficou no local entre 8h e 12h, até ser retirado pelo Instituto Médico Legal (IML). A operação da rede, e durante todo esse período o funcionamento da loja foi mantido.

A medida gerou indignação nas redes sociais. Diante da repercussão do caso, o Carrefour divulgou nota em que disse lamentar a morte de Moisés e informou que os protocolos serão alterados.

“O inesperado falecimento do Sr. Moisés Santos, vítima de um infarto, foi um triste acontecimento para todos colaboradores. O Carrefour sente muito e informa que, por conta do ocorrido, revisitou seus protocolos, implementando a obrigatoriedade de fechamento das lojas para fatalidades como essa”, diz trecho da nota.

No Portal Vermelho, o jornalista e poeta Rodrigo Barradas, comparou o caso com a música Construção de Chico Buarque de Holanda. Segundo ele:

“Assim foi na sexta-feira passada, dia 14 de agosto, quando um trabalhador morreu no meio de um supermercado no Recife. No meio do Carrefour. Ficou ali, caído, como um produto perecível em decomposição, jogado na parte errada do centro de compras, como ficam os produtos descartados pelos consumidores, só que escondido entre guarda-sóis, papelões e caixas de cerveja. (…) É, a arte copia a vida ou a morte, como cantou Chico Buarque em “Construção”:
“E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público”.

O caso também lembra outro ocorrido em abril 2019, quando o modelo de Tales Cotta, de 25 anos, morreu devido a uma cardiopatia não diagnosticada durante um desfile da 47ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW). O desfile havia começado por volta das 17h20 e o rapaz passou mal logo depois da sua primeira entrada. Socorrido na passarela, ele foi retirado de maca. Em nota, a assessoria de imprensa do evento comunicou o falecimento de Tales horas depois do incidente.

A indústria da moda brasileira recebeu fortes críticas porque, mesmo após a fatalidade se tornar pública, a programação do evento seguiu sem alterações.

Os dois casos lamentáveis mostram que em todos os setores a vida, no sistema econômico baseado na lucratividade seletiva, tem sido negligenciada.

Com informações de Portal Vermelho e 247

Foto Renato Barbosa

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